Carta do Presidente da Comissão Científica do Congresso

 

Se não me perguntarem, eu sei…
Preferia, por isso, o Silêncio… não fosse esta endérmica necessidade de a dizer.

Abordar a Morte com o conhecimento, a experiência e a reflexão multidisciplinar é, sem margem para dúvida, um enorme exercício de intervenção na essência da Condição Humana. A diferença e a solidariedade entre as ciências são não apenas o caminho para a melhor tradução, mas também imprescindível contributo para a diluição do espectro que sempre paira sobre a penumbra da Morte. Em tudo quanto se lhe sucede ou no tanto que a precede.

A perspetiva temporal futura da Vida conta com a inevitável existência da Morte. Aprender a saber da sua incontornável presença, educar e integrar a realidade da morte no movimento de crescimento e normalização do Humano e das múltiplas sociedades em que este se inclui é tarefa para a qual devemos contribuir. Quando o esforço pessoal ou coletivo se concentra na negação ou no ignorar, acabamos na turbulência do vazio a lutar contra nós mesmos, num conflito que jamais poderemos vencer e em que o sofrimento é causado, tantas vezes, mais pela luta do que pelo acontecimento. A Morte possui potenciais de benefício para a qualidade do percurso existencial do ser Humano, enquanto fonte de sentido e de estados emocionais de elevadíssima qualidade, espaço ímpar de encontro e de confronto.

O I Congresso Internacional “A Morte: Leituras da Humana Condição” apresenta-se e abraça-nos numa tamanha pluralidade de leituras que da imensidão do tempo e, por isso, da existência elevam despretenciosamente a temática. Neste areópago de um conselho entre os que a trazem, do mundo e de si, do livro e do credo, do humor e do medo, da arte e da notícia, da utopia e da doença, do virtual e da matéria… hão de certamente acender-se mais luzes de Razão e de Fé. 

E se, depois de tudo e do tanto que irá partilhar-se ao longo de quatro dias, concluir que este “I Congresso” também foi desafio e suspiro atirados a todas as Eternidades... então, também valeu a pena!...

Para todos, um Bom Congresso...

Paulo Jorge Alves
Presidente da Comissão Científica